
Um homem britânico foi detido nos Emirados Árabes Unidos por compartilhar vídeos de ataques aéreos iranianos em Dubai, uma ação que é considerada crime sob leis que proíbem a divulgação de conteúdo que perturbe a segurança pública.
De acordo com um relato do The Guardian, o homem, que foi identificado como um turista britânico de 60 anos, foi preso por compartilhar esse tipo de conteúdo enquanto visitava Dubai. O caso foi destacado pela Detained in Dubai, uma organização que fornece assistência jurídica a indivíduos detidos nos Emirados Árabes Unidos.
“As acusações parecem extremamente vagas, mas sérias no papel. Na realidade, a suposta conduta poderia ser algo tão simples quanto compartilhar ou comentar um vídeo que já está circulando online”, disse Radha Stirling, chefe do Detained in Dubai.
“De acordo com as leis de crimes cibernéticos dos Emirados Árabes Unidos, a pessoa que originalmente publica conteúdo pode ser acusada, assim como qualquer pessoa que remodele, repasse ou comente sobre ele.”
Um único vídeo já pode acarretar em acusações criminais. As penalidades em tais casos podem incluir até dois anos de prisão e/ou multas que variam de US$ 5.400 a US$ 54.400, enquanto estrangeiros também enfrentarão deportação.
Stirling alertou que o risco é agravado porque várias acusações podem ser aplicadas, o que significa que uma pessoa que repassa vários clipes poderia, teoricamente, enfrentar acusações cumulativas e receber uma sentença para cada publicação.
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Outras 20 pessoas foram detidas nos Emirados Árabes Unidos até o momento por filmar e/ou divulgar vídeos ou imagens de ataques aéreos iranianos que estão acontecendo na região. Apesar da lei, imagens de ataques recentes do Irã continuam sendo amplamente divulgadas nas mídias sociais.
“As pessoas compreensivelmente assumem que, se algo já é amplamente compartilhado ou publicado pelos meios de comunicação, deve ser aceitável comentar ou republicá-lo. Nos Emirados Árabes Unidos, essa suposição pode ser extremamente perigosa”, explicou ela.
Restrições semelhantes não são incomuns globalmente, mas o caso ocorre em meio à imposição de novas regras rígidas a jornalistas e membros do público, incluindo visitantes de estrangeiros, durante um período de altas tensões no Oriente Médio.
As restrições no Irã são particularmente severas, enquanto as monarquias do Golfo, que também foram alvo de ataques de drones e mísseis do Irã, também impuseram controles mais rígidos.
Israel proibiu a publicação de conteúdo que considera uma ameaça direta à segurança, como transmissões ao vivo mostrando horizontes da cidade durante ataques com mísseis, imagens que identificam locais de impacto de mísseis ou informações sobre planos militares e defesas aéreas.
Os governos parecem particularmente preocupados com imagens que revelam a localização de ataques de mísseis e drones, ou que mostram projéteis sendo interceptados, conforme relatou o The Guardian.
Foto: Unsplash. Este conteúdo foi criado com a ajuda da IA e revisado pela equipe editorial.
