
A Lockheed Martin recebeu um contrato de US$ 104 milhões da Marinha dos Estados Unidos para iniciar a modernização de meia-vida das cinco fragatas da classe Álvaro de Bazán (F-100) da Marinha Espanhola. Apesar de o contrato ter sido concedido pelo governo americano, os recursos são da Espanha, por meio do programa Foreign Military Sales (FMS).
A primeira etapa inclui atividades de engenharia, aquisição de materiais de longo prazo e preparação da infraestrutura necessária para o programa, com conclusão prevista para junho de 2027. O trabalho será realizado principalmente na unidade da Lockheed Martin em Moorestown, Nova Jersey, nos Estados Unidos, um dos principais centros de desenvolvimento do sistema de combate Aegis.
O detalhe importante é que os EUA não estão financiando as fragatas espanholas. Nesse tipo de acordo, Washington atua como intermediário oficial e controlador da exportação de tecnologia militar sensível, enquanto o país comprador arca com os custos. No caso das F-100, a Espanha utiliza o canal FMS para acessar sistemas, componentes, softwares, suporte técnico e serviços ligados a equipamentos de origem americana.

As fragatas F-100, construídas pela Navantia e em operação desde 2002, foram pioneiras na Europa ao integrar o sistema de combate Aegis, da Lockheed Martin, associado ao radar AN/SPY-1D. Com mais de duas décadas de serviço, os navios passarão por uma atualização destinada a prolongar sua vida útil e adaptar seus sistemas às ameaças modernas.
O pacote mais amplo aprovado pelos Estados Unidos para a Espanha pode chegar a US$ 1,7 bilhão e inclui, entre outros itens, conjuntos do sistema Aegis, componentes digitais, atualização dos lançadores verticais Mk 41 e novos recursos de sensores e integração. A modernização busca manter as fragatas como escoltas de defesa aérea de alto nível, capazes de operar de forma integrada com forças dos EUA e de outros países da OTAN.
Ao longo de sua carreira, as embarcações participaram de diversas operações da OTAN, exercícios de defesa aérea e missões internacionais. Para a Espanha, a atualização é uma forma de preservar uma classe considerada estratégica para a proteção de grupos navais, rotas marítimas e operações conjuntas em cenários de maior complexidade.

Além de beneficiar diretamente a Marinha Espanhola, o programa também chama atenção por envolver uma arquitetura naval que influenciou outros projetos internacionais. O desenho das F-100 serviu de base para navios derivados ou relacionados, como as fragatas norueguesas da classe Fridtjof Nansen e os destróieres australianos da classe Hobart, também ligados ao ecossistema Aegis.
Na prática, o contrato de US$ 104 milhões representa apenas o início da fase de modernização. A maior relevância está no reposicionamento das fragatas espanholas para mais anos de serviço, mantendo a compatibilidade com sistemas americanos e com padrões operacionais da OTAN.
Fonte: DSCA | Fotos: X @Armada_esp | @EMADmde | Este conteúdo foi criado com a ajuda da IA e revisado pela equipe editorial
