
O casal britânico Jane e Alan Kelvey contestou a versão apresentada pela Rússia sobre o incidente envolvendo a fragata Admiral Grigorovich e o iate Bright Future no Canal da Mancha.
Em conversa com a BBC Newsnight, os dois afirmaram que não estavam em rota de colisão com o navio de guerra quando foram efetuados disparos de advertência na manhã da última terça-feira (16).
Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, a fragata tentou estabelecer contato por rádio, utilizou sinalizadores e emitiu alertas sonoros antes de disparar tiros de advertência, alegando que o iate estava realizando uma “aproximação perigosa”.
Moscou afirmou que a embarcação britânica ignorou repetidas tentativas de comunicação, obrigando a tripulação a agir para evitar uma possível colisão. Jane Kelvey, no entanto, negou essa versão.
Ela afirmou que o casal ouviu sinais sonoros da fragata e alterou ligeiramente a rota para demonstrar que havia percebido a presença do navio, mas que nunca recebeu chamadas por rádio. Pouco depois, segundo seu relato, foram ouvidos vários disparos. “Foi um pouco assustador”, disse a britânica, acrescentando que os tiros foram “totalmente desnecessários”.
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Alan Kelvey foi ainda mais direto ao comentar a versão russa, classificando-a como “apenas mentiras normais”. O casal afirmou que a distância entre as embarcações era suficiente para não representar risco de colisão e que os disparos aparentemente foram feitos para o alto, e não diretamente contra o iate.
O incidente ocorreu cerca de 20 milhas náuticas ao sul da Ilha de Wight, fora das águas territoriais britânicas. O Ministério da Defesa do Reino Unido avaliou que os tiros não foram direcionados ao iate e tiveram como objetivo evitar uma possível colisão. Autoridades britânicas também indicaram que a fragata russa parecia estar à deriva ou com capacidade limitada de manobra naquele momento.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, classificou o episódio como “imprudente” e “profundamente preocupante”, embora tenha ressaltado que não vê indícios de uma escalada militar deliberada. Não houve feridos nem danos materiais, e o iate prosseguiu viagem rumo à França após receber apoio de uma embarcação da Marinha Real.
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