
A polícia de Dubai prendeu três pessoas que sobreviveram a um ataque do Irã depois que eles compartilharam imagens das consequências da explosão com seus entes queridos.
A informação foi compartilhada pela organização Detained in Dubai, uma organização que fornece assistência jurídica a indivíduos detidos nos Emirados Árabes Unidos.
De acordo com Radha Stirling, chefe do Detained in Dubai, os detidos tiveram seus apartamentos de Creek Harbour atingidos por uma bomba do Irã na última quarta-feira (11).
Eles sobreviveram e tiraram fotos das consequências da explosão, imagens que eles enviaram para suas famílias para que soubessem que estavam seguros. Mais tarde, os sobreviventes foram presos, depois que a polícia apareceu e exigiu ver seus telefones.
“Três sobreviventes traumatizados de um ataque de drones no Irã foram presos depois de compartilhar em particular uma foto com entes queridos confirmando que estavam vivos após uma explosão no chão de seu apartamento. Em vez de receber apoio, eles foram presos pela polícia de Dubai”, disse Stirling, segundo relato do site LBC.
“Eles estão pedindo que as pessoas pesquisem seus telefones nas ruas. A polícia de Dubai precisa reverter sua reação hipersensível. Essas prisões são indiscutivelmente mais prejudiciais do que as imagens de explosões que você procura censurar.”
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Nos Emirados Árabes Unidos, compartilhar imagens ou vídeos de ataques é considerado crime sob leis que proíbem a divulgação de conteúdo que perturbe a segurança pública.
Um único vídeo já pode acarretar em acusações criminais. As penalidades em tais casos podem incluir até dois anos de prisão e/ou multas que variam de US$ 5.400 a US$ 54.400, enquanto estrangeiros também enfrentarão deportação.
Stirling alertou que o risco é agravado porque várias acusações podem ser aplicadas, o que significa que uma pessoa que repassa vários clipes poderia, teoricamente, enfrentar acusações cumulativas e receber uma sentença para cada publicação.
Cerca de 20 pessoas já foram detidas nos Emirados Árabes Unidos até o momento por filmar e/ou divulgar vídeos ou imagens de ataques aéreos iranianos que estão acontecendo na região. Apesar da lei, imagens de ataques recentes do Irã continuam sendo amplamente divulgadas nas mídias sociais.
“As pessoas compreensivelmente assumem que, se algo já é amplamente compartilhado ou publicado pelos meios de comunicação, deve ser aceitável comentar ou republicá-lo. Nos Emirados Árabes Unidos, essa suposição pode ser extremamente perigosa”, explicou Stirling anteriormente ao The Guardian.
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